A História do Barbeiro

Antes de trazer a história de hoje quero falar que ela não se encaixa com o que eu tinha planejado inicialmente para essa categoria, mas essa parte da história é tão linda que mesmo não encaixando decidi colocar. Prestem atenção principalmente nas partes em negrito, pois é nelas que vocês encontrarão uma boa lição…

Título do Livro: A Garota que eu Quero
Autor: Markus Zusak
História: A História do Barbeiro
Página: 29
História enviada por: Antônio Fellipe

“[…]

— E então, como têm andado os negócios? — indaguei, enquanto o barbeiro abria caminho pela massa cerrada de cabelos.

—Ah, você sabe, rapaz. — Parou e sorriu para mim pelo espelho. — Vamos levando. Pagando as contas. Isso é o principal.

Conversamos por um bom tempo depois disso, e o barbeiro disse que há quanto tempo trabalhava na cidade e comentou como as pessoas haviam mudado. Concordei com tudo que ele disse, com um perigoso aceno de cabeça ou com um discreto “É, acho que é isso mesmo”. Ele era um sujeito bem legal, para falar a verdade. Grandão. Peludo. Vozeirão.

Perguntei se morava no apartamento em cima da loja e ele respondeu: “Sim, nos últimos vinte e cinco anos.” Nessa hora senti um pouco de pena, por imaginar que ele nunca fazia nada nem ia a parte alguma. Só cortava cabelos. Jantava sozinho. Talvez comida de micro-ondas (embora seus jantares não pudessem ser muito piores que os preparados pela Sra. Wolfe, que Deus a abençoe).

— Importa-se se eu lhe perguntar se já foi casado? — indaguei.

— É claro que não. Fui casado, sim, mas minha mulher morreu há alguns anos. Vou ao cemitério todo fim de semana, mas não levo flores. E não falo. — Deus uns suspiros e soou muito sincero. De verdade. — Gosto de pensar que fiz isso o bastante enquanto ela era viva, sabe?

Assenti.

— Não adianta nada, depois que a pessoa morre. Isso é para se fazer quando as pessoas estão juntas, ainda vivas.

Ele havia parado de cortar meu cabelo por alguns momentos, e por isso pude continuar a balançar a cabeça sem perigo.

— E o que você faz quando fica lá, junto à sepultura? — perguntei.

Ele sorriu.

— Fico lembrando. Só isso.

Que legal, pensei, mas não falei nada. Apenas sorri pelo espelho para o homem atrás de mim. Tive uma visão daquele sujeito grande e peludo, parado no cemitério, ciente de ter dado tudo de si. Também me imaginei lá com ele, em um dia cinza-escuro. Ele com seu avental branco de barbeiro. Eu com minha roupa normal.

[…]”

Espero que vocês gostem da história de hoje e valorize as pessoas que você ama enquanto elas ainda estiverem vivas.

Grandes beijos e abraços…

Jusley A.

P.S.: Caso você achou alguma história legal dentro de um livro e gostaria de vê-la publicada aqui, é só me enviar através do e-mail: louca-por-viver@hotmail.com. Lembrando de colocar seu nome, o nome do livro (e do autor) e a página onde se encontra a história.

P.S.2.: Se você está vendo essa publicação é porque consegui agendar o horário da publicação, então vamos comemorar \o/\o/\o/

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2 comentários em “A História do Barbeiro

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